O Linux Professional Institute (LPI) dando aula

Gustavo Kalau
3 min readDec 10, 2021

https://youtu.be/uOqnBDeGzAA

Para quem não conhece o LPI, vou explicar pegando a descrição do próprio site: “LPI é a primeira e maior organização de certificação Linux e código aberto do mundo”, as famosas certificações LPIC, que são independentes de distribuição, são mantidas pelo LPI.

Recentemente o Ricardo Prudenciato, que é um instrutor Linux, postou em seu Instagram a nova política de preços das certificações do LPI e eu achei muito legal.

Uma coisa que eu não sabia era que o LPI mantinha uma política de preços baseada no IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano, que é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de “desenvolvimento humano” e para ajudar a classificar os países como desenvolvidos ou não, existe uma escala mas não vou listar aqui, acho que já deu pra entender.

Resumindo o que o LPI faz nos preços dos seus exames: países mais ricos pagam mais, e países mais pobres pagam menos. E sinceramente, isso já era foda!

Como se não bastasse, agora eles reajustaram seus preços baseados em um índice mais justo, o Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade, pelo que entendi, além do desenvolvimento do país, esse novo índice leva em consideração também a desigualdade social.

Segundo o próprio comunicado do LPI: “Essas mudanças, que estão levando em grande parte a uma redução no preço dos exames LPI, ocorrem em um momento em que a maior parte do mundo está passando por pressões inflacionárias na direção oposta.

As alterações de preços entram em vigor em 1º de janeiro de 2022, em todos os lugares. Materiais formais estão sendo desenvolvidos e a promoção pública das mudanças de preços ocorrerá em dezembro.

O LPI manteve uma política de preços globais variáveis, porque nem todo o mundo tem uma economia igual e os salários de subsistência variam dramaticamente entre os países.”

Lembrando que o Brasil é um dos piores países com relação a desigualdade social e também de mobilidade social, se você nasce pobre aqui o período de ascensão social da sua família demora cerca de 10 gerações. Sim é isso mesmo, 10 gerações para sair de pobre para classe média.

Ainda copiando informações do próprio comunicado:

Os preços aumentarão ligeiramente em 51 locais, todos com economias altamente desenvolvidas, para alinhá-los com os preços atuais do nível superior. Exemplos:

  • Bermuda (+ 15%)
  • Austrália (+ 6%)
  • Cingapura (+ 6%)
  • Reino Unido (+ 4%)

Os preços permanecerão inalterados em outros 51 locais, refletindo principalmente aqueles já com os preços mais altos e mais baixos cobrados por nossos exames. Exemplos:

  • Japão
  • USA
  • Haiti
  • Senegal

Os preços serão reduzidos em 145 locais, em muitos casos significativamente, de acordo com os alinhamentos com o IHDI. Essas mudanças nos permitem tornar o programa LPI mais acessível globalmente. Exemplos:

  • África do Sul (-42%)
  • Guatemala (-41%)
  • Índia (-36%)
  • Brasil (-25%)

Agora, imagina se a Cisco faz uma parada assim hein? O CCNA que custa U$300, iria cair pra U$225, seria uma bela ajuda!

Mas creio que isso não aconteceria por dois fatores:

  1. A Cisco é uma empresa com fins lucrativos (o LPI não tem fins lucrativos),
  2. A Cisco já possui diversos programas sociais educacionais com distribuição de bolsas e vouchers para os exames de entrada como o CCNA que podem ser consultados em sua plataforma https://www.netacad.com/ .

E diga ai o que você acha disso, atualmente cada vez mais empresas gigantescas tem se posicionado com iniciativas sociais, e se seria válido uma empresa como a Cisco mudar sua política de preços.

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Gustavo Kalau

Professor e Network Engineer, criador do canal Gustavo Kalau e do treinamento Risco Zero, CCIE R&S e apaixonado por redes de computadores.